2008-02-09

Um ano


Sábado, 9 de fevereiro, fez um ano que cheguei.

Reflexão? Sim, é normal que eu a faça e também que quem acompanha meu blog queira saber. Pois bem, o melhor que posso dizer é: é possível um país com um mínimo de decência,

1) onde se anda nas ruas a qualquer hora com risco de criminalidade quase nulo;

2) com um trânsito sem loucuras, onde as motos são raras, os ônibus pontuais e bem-cuidados pelas pessoas, em que não se vê tantos carros nas ruas, os pedestres têm realmente preferência e nem por isso abusam dela;

3) onde as ruas são limpas, e há muito verde, mesmo nas grandes cidades;

4) onde há investimento em cultura e pesquisa e interesse por ser o melhor nesse tipo de coisa, em vez de ser o melhor apenas em Copa do Mundo de futebol.

5) onde a palavra dada vale muito;

e mais outros exemplos de coisas que não são apenas boatos, acontecem mesmo por aqui. Coisas também que não me levam a classificar o país como paraíso. Eu diria apenas que ele é o que eu entendo ser o normal.

E, tendo agora essa experiência como parâmetro, ficou ainda maior o meu desânimo quanto ao país em que nasci. Há muito tempo queria sair dele, ver como seria em outro lugar, por ter perdido a esperança nos seus governantes, por detestar o tal do jeitinho brasileiro, por ver uma mídia que contribui para o aumento da burrice (que não é pouca), quando deveria ser o contrário.

É muito triste pensar que, embora eu tenha muitos parentes e amigos, embora eu sinta falta do joguinho de futebol de salão duas vezes por semana (como fazia com os amigos em Ribeirão Preto), ou de certas opções culinárias, eu ainda assim não tenha, hoje, o menor desejo de voltar a morar no Brasil. É possível que eu volte, é possível que eu venha querer. Mas ter a possibilidade de comparar só reforçou a opinião que eu tinha quando saí: o Brasil está longe, muito longe, de ser o que a gente gostaria que fosse - basicamente, um lugar tranquilo e justo.

Estar muito distante de quem eu gosto de encontrar é o ponto mais difícil, primeiro porque as pessoas importantes são insubstituíveis, e também não é tão simples fazer amigos alemães. O obstáculo da língua, o receio de interferir nos costumes que não conhecemos bem - essas coisas fazem com que as amizades demorem a vir. Amizades com outros estrangeiros são mais fáceis, especialmente com sul-americanos, mas a maioria é população flutuante, aqui. Acabam sendo amigos que vêm e vão.

Os alemães ficam na deles, normalmente, e costumam ser muito educados quando solicitados. Ficou claro pra mim que gente é gente em qualquer lugar - há os que parecem sempre estar de mal com a vida, os que estão sempre sorrindo, os que buzinam por qualquer coisa no trânsito, os adolescentes que têm os mesmos papos e interesses dos brasileiros, as pessoas que falam uma coisa e fazem outra, até os mendigos, enfim... Se formos comparar o quesito "perfis", pode imaginar qualquer um e vai encontrar aqui. O que faz os países diferentes é a frequência deste ou daquele tipo de pessoa, pois quase todo nativo aqui tem comida em casa e oportunidade pra estudar.

Os mais velhos são em geral os mais preconceituosos com estrangeiros. As gerações mais novas já vêem isso como uma coisa mais normal. Particularmente, existe um outro povo que não quero citar, vindo de outra região, com o qual não me identifico, ao contrário dos nativos.

Sobre o clima: nesse aspecto, eu sou mesmo europeu. Hoje cedo, por exemplo, havia uma neblina muito densa, não se via mais do que 30 ou 40 metros adiante. Fui levar a Déborah até a escola, e me sinto muito bem andando pela rua com esse tempo e temperatura, muito mais à vontade do que quando morava em Ribeirão Preto, no calor de 30 graus ou mais.

Sobre comida: a brasileira é mais variada e saborosa, tem mais opções de frutas, tem feijão e mandioca. Faz falta, sim, mas já concluí que não é nada que me cause desespero.

Sobre trabalho: seja melhor que um alemão e terá seu emprego - mesmo que de pedreiro ou garçom. Uma boa oportunidade pra eu reforçar que, mesmo pra pedreiro ou mecânico de automóveis, existem cursos.

Vou deixar outras reflexões pra o futuro. Já falei demais pra uma postagem só.

Fui!

Mais 3 anos entre queijos e bonecas



Soubemos da possibilidade, há uns dias, de que poderemos ficar em Göttingen até março de 2011. Pra minha alegria, pois terei muito mais tempo pra aprender as coisas daqui - principalmente a língua.



Quando eu era criança, acho que devido ao fato de estar no meio de tanto sul-americano, achava que as bonecas (os brinquedos daquelas que eu viria a chamar também de bonecas uns anos depois), tinham só cara de boneca mesmo - pareciam com gente, e apenas pareciam. Esta imagem foi por terra. Algumas alemãs se parecem muito com aquelas bonecas de 30 anos atrás! Pele muito clara e lisa, nariz arrebitado, formato do rosto... Enfim, quem criou aquele rosto-padrão para elas, certamente andou se inspirando por estas bandas aqui.

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Não sei se ainda existe no Brasil queijo fatiado e embalado fatia por fatia. Lembro que muitos anos atrás houve um, igualzinho em sabor ao que se encontra aqui, e era muito caro. Por aqui, é ao contrário. Os queijos não fatiados são normalmente os que custam mais, mesmo que tenham o mesmo nome. Isso, eu imagino, porque são mais artesanais e supostamente de melhor qualidade. Mussarela e queijo prato não são comuns, mas há outros parecidos: Golda, Emmentaler. Muitos temperados, outros com fungos, alguns bem amargos. E encontramos, recentemente, outro queijo que existe no Brasil, mas aqui (para minha grande felicidade!) é bem mais barato: o tipo Polenghinho!




Queijo fatiado: eu não me lembro, mas creio que foi a Danone que lançou no Brasil. Parece mais um purê de queijo, pois é muito "certinho".


Embalado em alumínio, 150 gramas: é o Polenghinho daqui. Ou um deles...
Alemanês: Schinken = presunto.



Ralados: na caixa com tampa, o parmesão, bem fininho. No pacote maior, o Emmentaler (não é marca, é variedade), que parece mussarela, ralado em tamanho maior, para fazer pizza e coisas assim.




Outros tipos de queijos fatiados, mas não embalados um a um.


2008-02-05

Filmes: espetáculos

Espetáculos, não necessariamente espetaculares. Alguém poderá achar que não têm nada de especial. Bem... para outros, talvez algum deles seja curioso, no mínimo. Ah, pra quem não sabe: clique no botão Play pra acionar o filme.


Espetáculo da neve. Aqui em casa.



Espetáculo de água e música, em Hamburg.



Espetáculo teatral, em frente ao Parlamento Alemão, em Berlin.




Espetáculo do Ano Novo, visto da nossa varanda. Por Elisa.

Filmes: micos

Essas são cenas divertidas que vivemos aqui. As duas primeiras foram em München (Munique), vejam a história na postagem http://zeelias65.blogspot.com/2007/10/2007-08-15-munique-parte-3-hofbruhaus.html

As duas seguintes são de um amigo chileno, o Ricardo, tentando cantar Roberto Carlos.

E por fim, eu feito bobo brincando com o realejo. É mico pra dedéu!




2008-01-21

De volta a Kassel, Hannover e Northeim (parte 2)

Parque da prefeitura - aqui também o lago estava congelado.

Em Hannover, passamos pelo estádio de futebol e fiquei tentado a voltar a um depois de 22 anos. Vale o aparte: a última vez que fui a um campo foi em Campinas, 1987, final do Campeonato Brasileiro entre São Paulo e Guarani. Resolvemos ficar no meio da torcida bugrina e senti o que é estar na idade medieval, num coliseu cheio de bárbaros nas arquibancadas. A experiência me fez desistir da idéia de pôr os pés de novo num estádio, até porque em casa a gente tem replay, ângulos diferentes, conforto do sofá - e aqui na Alemanha, principalmente, não tem o Galvão Bueno! Os locutores aqui tem outro estilo, pra nossa alegria.
Por aqui, talvez faça uma exceção e assista a um jogo.


Rastros da neve já no caminho para Hannover.

Centro de Hannover ainda com atrações natalinas, apesar de já ser metade de janeiro.


Parque da prefeitura.


Ainda no parque, com um cenário de inverno.




Esse é o estádio do time local. Não é aberto para visitas fora dos horários de jogos.


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O programa em Northeim foi o mais esperado por mim e valeu: fomos ao teatro de marionetes, que apresentava uma fábula dos irmãos Grimm, "A Lua". Coisa de criança? Também. Mas duas coisas devem ser destacadas: 1) os atores são versáteis. Fazem os personagens usando o próprio corpo, colocando máscaras; com marionetes pequenas, num palco miniatura; ou, vestidos de preto para que não sejam vistos, manuseiam bonecos que têm em média um metro de altura. Foi difícil tirar fotos, então sugiro o http://www.theater-der-nacht.de/ e clicar em Spielplan (programação) pra ver algumas. E 2) além de versáteis, eles são muito bons! Bem, fiquei ainda mais feliz, porque entendi uns 50% do que foi falado. Acabei sendo intérprete da Elisa.



Antes da peça, um cappuccino com torta. Os pratos e a caneca retratam o local e bonecos.
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Infelizmente, só consegui tirar duas fotos da peça e, ainda assim, fora de foco.
Na primeira, um palco de fantoches e, na segunda, esqueletos manipulados pelos atores, estes vestidos de preto.








De volta a Kassel, Hannover e Northeim (parte 1)

Estamos ficando especialistas em montagens desse tipo...


Com Elisa por aqui e a grana curta pra encarar hotel, fomos passear nas cidades mais próximas. Fui com ela a alguns pontos conhecidos e aproveitei pra ver outros que pra mim eram novos.
As diferenças principais neste passeio em Kassel: o castelo de Hercules (vejam postagem
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=32541468&postID=9217774971884939272) estava branco! A neve cobriu muros, escadas, calçadas. E há outra coisa legal que verão nas últimas fotos.




Puro gelo e uma parede branca no céu.










A influência da luz do céu nas fotos feitas de dentro.










Como já tinha visto o castelo, dessa vez o que me chamou a atenção foi a paisagem em volta.

















Tudo isso era verde, em setembro. Vale a pena olhar a outra postagem sobre Kassel e comparar.





Entre as árvores, o vento é barulhento e o frio, mais cortante.


Cascata congelada. O som é um misto da água que corre e os estalidos da que endureceu.



Esta foto também vale ser comparada com a da outra postagem. Era um túnel verde e fechado.



O grande astro do dia: o lago congelado. Ele não estava branco, como parece aqui, mas transparente. Nesta foto, reflete o branco do céu.



Coloquei o pé, mas não me animei a ficar com os dois sobre a água... Vai que quebra!



Na parte não congelada, os patos aproveitavam pra se manter em forma.

Aqui também tem Kibon, mas com outro nome.

2008-01-12

Faltou do ano passado - parte 3: diversos

Acreditem: isto foi o sol de meio-dia, na semana anterior ao Natal.

A sorte grande bateu à minha porta. Na primeira e até agora única vez que joguei na Sena aqui (o nome é Lotto), ganhei! Sério: acertamos (dois colegas do Alemão e eu jogamos, no dia em que recebemos o Zertifikat Deutsch) 3 números em 6 possíveis, e recebemos a enorme quantia de 10 euros (quase 30 reais!).
Olhem o comprovante, acima.


Laranjas "siamesas": Parece que há uma dentro da outra. Quando vi esta, achei que era raridade. Mas não é.




Duas fotos do nosso Natal dos Abandonados: éramos uns 15, na maioria brasileiros, reunidos. Todos longe da família.





Nesta notícia, na Revista da Semana, chamou-me a atenção o número de crimes registrados na Alemanha. Considerando que o país tem 2077 cidades, o número médio anual por cidade é menor que... 2!



Ainda tenho mais uma postagem referente ao ano passado. Aguardo a volta da Marcia pra obter umas informações... Té mais.

Adidas - vai aprendendo aí

Pois é, às vezes a gente passa a vida inteira ouvindo e falando algo erradamente, e não há um especialista por perto pra corrigir. Hoje, aprendi que a pronúncia da famosa marca alemã de material esportivo é outra.
Se vier pra cá, não diga ADIIIIIIIIDAS, mas sim ÁÁÁDIDAS (claro que não precisa esticar tanto a vogal...).
Pra não dizerem que sou machista, ilustrei esta curtíssima postagem com um homem e uma mulher usando a marca.

Até a próxima postagem, espero que mais inspirada.









2008-01-05

2007 11 18 - Faltou do ano passado (parte 1): Northeim: marionetes e casas condenadas


Em Northeim, a mais ou menos 12 minutos, 32 segundos e 54 centésimos de Göttingen indo de trem, vive um casal de amigos: Michelle, brasileira, e Mathias, alemão. Ele foi nosso tradutor no casamento (vejam http://zeelias65.blogspot.com/2007_08_01_archive.html).
Fomos pra visitá-los e conhecer a cidade, de 20 mil habitantes. Nossa andança teve dois destaques: primeiro, algumas casas condenadas, como a da foto acima. A imagem não está distorcida, e a casa não foi feita por crianças. Os conhecimentos de engenharia locais é que talvez não fossem tão poderosos, duzentos ou quinhentos anos atrás. E o segundo é uma oficina/teatro de marionetes - cuja arquitetura, ao contrário das casas condenadas, além de sólida é excêntrica. Pena não haver programação no dia, pois as crianças (inclusive eu) iriam gostar. Ficou pra outra ocasião.



Conosco, foram Maria Ângela e os dois filhos.



Toda cidade alemã teve, ou ainda tem, um muro perimetral.



Podadores de árvores.



Ótica ou bicicletaria? Resposta no fim da postagem.



Qual o significado do nome deste hotel? Meia chance pra você. Não vale usar dicionário. Resposta também no fim da postagem.



Em pleno calçadão, sino que pertenceu a alguma igreja que não existe mais. A turma tava com pressa e a leitura do texto ficou pela metade (nos 10%, pra ser mais sincero).



Mais um exemplo da provável falta do conhecimento medieval do significado de "paralelo". Apesar disso, esta casa não está condenada e abriga lojas e residências.



As plantas ficam do lado de dentro. Questão de sobrevivência!



No fundo, à direita, a oficina de fantoches.



As primeiras coisas estranhas encontradas, lado a lado.



A rainha sentada em seu trono, vigiada por uma cabeça de "sei-lá-o-quê".



Passagem secreta para quando vem o fiscal da receita. Ou para jogá-lo lá, não sei.



Quando eu crescer, quero ter uma fantasia dessa!



Desconfio que temas mórbidos sejam preferência por aqui...



Na verdade, as fábulas locais é que têm personagens estranhos. Os irmãos Grimm que o digam.



Enquanto espera quem está no banheiro, sente-se ao lado de uma companhia agradável.



Alguém já viu casa com nariz? Bem, antes que perguntem: não fui aos fundos da casa pra conferir se tem outra anatomia em destaque.



Nossa! Nóis tamo impressionado!


Respostas: ótica e tesoura.